Conhecimento e evidências da salvação – Rm 8.11-17

Queridos, certa vez, em uma visita à casa de uma irmã, encontrava-se lá uma vizinha que se dizia crente. Então, ela me mostrou a sua Bíblia toda marcada, segundo ela, salientando as promessas de Deus. Eu pequei a sua Bíblia, e, como eu esperava, vi que só estavam marcadas as promessas de bênçãos. Então eu lhe perguntei porque não estavam marcadas as promessas de maldição, que são em muito maior número, e que, sem nenhuma dúvida, serão cumpridas à risca, conforme a palavra de Deus. A questão é saber: somos alvos das bênçãos ou das maldições de Deus? A mulher tomou um susto.

Como sabemos, as igrejas ditas evangélicas estão entupidas de gente assim, em busca de bênçãos, e estas pessoas pensam que são salvas, mesmo sem serem discípulas de Jesus. Elas pensam que são convertidas porque, iludidas por um manipulador de auditório, em um evento sócio-religioso chamado de “culto”, “levantaram as mãos”, e “foram à frente”, atendendo a um insistente e tolo convite para uma suposta conversão.

O que vemos a seguir? Às vezes até vemos alguma mudança de costumes sociais, vemos o aprendizado de alguns chavões do “evangeliquês” do tipo “o sangue de Cristo tem poder”, “em nome de Jesus”, “ô glória”, e coisas semelhantes. E estas pessoas, que não são discípulas de Jesus e nem sabem o que isso significa, pensam que são salvas, embora sequer saibam de que precisam ser salvas. Isso não lhes foi dito pelos falsos pastores que pregam um falso evangelho.

Irmãos queridos, conforme o ensino bíblico, desde a gênese do ser humano, por causa do pecado de Adão, nós fomos condenados à morte pelo próprio Deus, e a salvação é totalmente dele, segundo o beneplácito da sua vontade (Ef 1.5Ef 1.5). Nós somos apenas objeto do seu amor, eleitos, chamados, justificados, adotados, santificados e glorificados, não por nossa causa, mas para louvor da sua glória (Ef 1.6,12,14Ef 1.6,12,14). Isso não depende de nós. Foi-nos dado o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo 1.12Jo 1.12). Pois bem, uma vez adotados, como Paulo diz no último versículo que lemos, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (v.17).

Agora, prestem atenção, irmãos! Conforme o discipulado presente nas cartas apostólicas, esta é uma situação nova (2Co 5.172Co 5.17). Houve uma mudança de status espiritual que implica uma mudança de status social. A partir da conversão, não somos mais filhos do mundo, e sim, filhos de Deus. E como tais, precisamos ser santos como ele é santo. Após a conversão, este é o papel do Espírito Santo que passa a habitar em nós: nos santificar.

Como lemos no v.12, uma vez convertidos, não somos mais constrangidos a viver segundo a carne, ou segundo as nossas inclinações pecaminosas. Agora, como podemos ver no v.13, somos levados pelo Espírito a mortificar os feitos do corpo, que são as inclinações pecaminosas do velho homem, antes da conversão. Agora, como somos filhos de Deus, passamos a ser guiados pelo seu Espírito, até alcançarmos a santidade de Jesus, o nosso modelo (v.14). Observem que o Espírito Santo faz as duas coisas em nós, por nós e através de nós: ele nos leva a mortificar os desejos pecaminosos, e a desenvolver a santidade, à medida que crescemos no conhecimento de Deus, e fazemos a sua vontade.

Repito, quando conhecemos a salvação, sabemos que ela é totalmente de Deus, e é um milagre tremendo, semelhante à ressurreição do Senhor Jesus (v.11). Algum vivente pode, por acaso, presumir que tem tal poder? Como pode um pecador imaginar que pode se salvar, sozinho, por decisão própria? Se alguma coisa dependesse de nós, certamente, jamais seríamos salvos. Salvação é milagre de Deus.

Irmãos queridos, quanto mais nós crescemos no conhecimento de Deus, mais conscientes nós ficamos do quanto dependemos e precisamos depender totalmente do seu poder, mesmo depois de justificados e adotados como filhos em Cristo Jesus. Como vimos nos vv.13-14, é o Espírito que nos leva a mortificar as nossas inclinações pecaminosas, assim como é ele que nos leva a buscar a santidade. É ele quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2.12-13Fp 2.12-13), e a sua boa vontade é que sejamos feitos à semelhança de Jesus, para à glória eterna do Pai.

É por isso que o salvo não pode perder a salvação, porque, como ensina o apóstolo Pedro, somos guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo (1Pe 1.51Pe 1.5). Observem que o poder de Deus se manifesta mediante a fé, e a fé não vem de nós, é dom, de Deus (Ef 2.8Ef 2.8). Repito, a salvação é totalmente de Deus, e esta é exatamente a garantia da nossa salvação. Se alguma coisa dependesse de nós, certamente, jamais seríamos salvos.

Acontece que, uma vez salvos, sabendo o que aconteceu conosco pelo poder do Espírito Santo, sabendo que é ele que nos converte (v.11), sabendo que é ele que nos leva a mortificar as nossas inclinações pecaminosas (v.13), assim como é ele que nos leva a buscar a santidade para nos tornar iguais a Jesus (v.14), não se pode cogitar que um salvo não se desenvolva em santidade à medida que cresce no pleno conhecimento de Deus.

Até mesmo a desculpa de que as tentações, provações, tribulações são mais fortes do que nós, não são razoáveis nem aceitáveis, uma vez que temos a garantia de proteção. Em Rm 14.4 Rm 14.4 lemos que o servo do Senhor estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Em 1Co 10.13 1Co 10.13 lemos que não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.

Observem que a tentação é humana, mas a provisão para suportá-la é divina. Logo, não é possível imaginar que uma tentação humana possa superar a provisão divina. É por isso o servo do Senhor estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Percebem, irmãos, como a nossa salvação é uma maravilha de Deus?

Pois bem, conhecendo esta bênção especial de Deus para os seus eleitos, o que nos resta fazer? Obedecer a esse Deus maravilhoso. Esta é a nossa participação no plano eterno da salvação. Envidar todos os nossos melhores esforços para crescer no pleno conhecimento de Deus, conscientes de que somos guiados pelo Espírito Santo, para que possamos andar nos seus retos caminhos.

Prestem atenção, irmãos! Dizer que é crente, salvo, discípulo de Jesus, pode ser tão fácil quanto equivocado. Ninguém se engane! Certamente o Senhor Jesus conhece as suas ovelhas. Como ele disse, as minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem (Jo 10.27Jo 10.27). A questão é: todos aqui têm seguido o Senhor Jesus? Todos aqui ouvem e reconhecem a sua voz, ou dão ouvidos a qualquer voz como se fosse a voz do Mestre, prometendo bênçãos que ele nunca prometeu, dissociadas da salvação?

Não esqueçam! O eleito de Deus, o salvo, o discípulo de Jesus agora é nova criatura. Ele agora não tem mais medo do mundo, do pecado com seus ardis, porque ele agora sabe da sua filiação a Deus Pai (v.15). Porém, convém lembrar que um filho deve ser obediente para a honra do Pai. É assim que o Espírito testifica que somos filhos de Deus: pela nossa submissão à sua vontade.

Afinal, quando recebemos a salvação, sabemos que, assim como o Senhor Jesus, fomos vivificados para a obediência, pelo mesmo poder que o ressuscitou, para a glória do Pai (v.11). Agora, em Cristo, sabemos que somos filhos de Deus, herdeiros e co-herdeiros com Cristo, o que deve ser evidenciado em uma vida de obediência, de santidade, e não em busca de bênçãos dissociadas da salvação.

Que Deus nos conceda graça para compreender a sua doutrina, e mais graça para pô-la em prática. Amém.