Onde está o nosso coração – Fp 4.4-9

Queridos, segundo os estudiosos seculares, a nossa era, chamada de pós-modernidade, envolve uma série de outras eras, como por exemplo, vivemos a era da ansiedade, a era do estresse, a era da depressão, a era do descartável, etc. Todos vivem ansiosos, estressados, e chegam à depressão; o tempo não dá mais para fazer todas as coisas que queremos; corremos de um lada para outro, e não dá mais tempo de adquirir todas as coisas que julgamos ser necessário para a nossa suposta felicidade.

Nessa correria contra o tempo, nada mais tem valor absoluto. Os valores morais e éticos tornaram-se fluidos, escorrem com facilidade, e todas as coisas passaram a ser descartáveis, até mesmo as pessoas. Que coisa terrível! Seguimos à deriva, sem rumo certo, com medo do futuro. A única certeza que temos é a de que precisamos ter as coisas, bens, posses, inclusive posse de pessoas, enquanto elas nos forem úteis. Depois, descartamos.

Por que isso? Por que tanta ansiedade, tanto estresse, tanta depressão? Exatamente porque não temos certeza de nada, temos medo do futuro, e isso não tem nada de novo, embora seja dito que é uma característica do nosso tempo. Até mesmo os discípulos de Jesus, quando ainda estavam com ele, demonstraram ansiedade com relação ao futuro, pelo que ouviram do Mestre: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal (Mt 6.25,34Mt 6.25,34).

Viram como isso não é novo? Preocupados com o futuro, deixamos de viver o presente, desprezando o ensino do Mestre: não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. Ou seja, apenas amanhã devemos cuidar dos problemas de amanhã. Não há porque nos preocupar com um possível problema que poderá nem acontecer amanhã, como normalmente fazemos. Sofremos de véspera, e, na maioria das vezes, o problema não acontece.

Atenção! Isso não quer dizer que não devemos planejar as coisas, e prever possíveis problemas em função de alguma falha na execução do que foi planejado. Agir assim, é imprevidência, insensatez, e o Senhor Jesus também nos dá ensinamento acerca disso, quando alerta aqueles que pretendiam segui-lo, sem calcular o preço (Lc 14.28-31Lc 14.28-31).

Irmãos, nós precisamos conhecer o nosso Salvador, e o seu ensino retransmitido pelos seus apóstolos. Observem que o texto que lemos nos fala de alegria, de ansiedade, e de paz, tendo como base o conhecimento de Deus. Sem dúvida, o apóstolo Paulo sabia que a ansiedade é uma inimiga da alegria e da paz entre os irmãos. Ele mesmo experimentou momentos de grande ansiedade enquanto aguardava a volta de Tito, por ele enviado a Corinto, levando uma carta disciplinadora para aqueles irmãos (2Co 2.12-132Co 2.12-13). A ansiedade do apóstolo por notícias de como os coríntios tinham recebido a sua carta foi tão grande, que ele resolveu ir ao encontro de Tito na Macedônia. Que coisa impressionante!

Sem dúvida, o apóstolo sabia acerca do que estava ensinando, e sabia que, para nos guardar da ansiedade, devemos nos alegrar sempre no Senhor, na medida em que o conhecemos (vv.4-5). Vejam que devemos ser moderados, ou seja, pacientes, compreensivos, generosos, tolerantes com o próximo, segundo o exemplo do Senhor Jesus, e isso depende do nosso conhecimento de que, assim como ele dependia do Pai, devemos depender dele, que está sempre perto de nós.

Ora, sabendo que o Senhor está sempre perto de nós, cuidando de nós, ao invés de dar lugar à ansiedade, devemos orar ao Senhor, seja qual for a situação. Por isso o apóstolo fala em oração de petição, súplica, e ações de graça (v.6). Obviamente, aqui não temos ensinamento sobre diversos tipos de oração, e sim, que as orações devem ser constantes, nas mais diversas situações pelas quais passamos, demonstrando o nosso conhecimento da situação, a nossa intimidade com o Senhor, e a nossa dependência dele.

Podemos observar no ensino do apóstolo, que a ansiedade está colocada em oposição à paz, que as duas situações partem daquilo que preenche o nosso coração naquele momento, e que isso depende do nosso conhecimento de Deus. O sábio Salomão nos ensina que, como imagina em sua alma, assim o homem é (Pv 23.7Pv 23.7). Ou seja, se você pensa muito em determinada coisa, esta coisa é um elemento indicativo do seu caráter. Em que você pensa? Em ter bens, posses? Então, provavelmente você é um usurário que vive cobiçando o que não lhe é lícito, e por isso, vive ansioso.

O Senhor Jesus também nos ensina que a boca fala do que está cheio o coração (Mt 12.34Mt 12.34). Ou seja, se um problema o está dominando, você externará isso em ansiedade clara, que é a falta de paz; por outro lado, se você tem conhecimento do problema e confia em Deus, você terá paz e externará isso em oração de petição, súplica e ações de graça.

No domingo passado, examinando o Salmo 13, pudemos ver esta realidade na vida de Davi. A princípio, ele demonstra apreensão, angústia, e apresenta a sua súplica a Deus: Até quando, Senhor? Até quando? Na sequência, porém, pudemos ver que o salmista não apenas apresentou o problema a Deus, mas entregou-se em total confiança ao Senhor, passando a louvá-lo. Não há nenhuma dúvida de que foi o conhecimento do Senhor que deu segurança e paz ao salmista.

Semelhantemente, falando sobre o exemplo do Senhor Jesus, o apóstolo Pedro ensina que ele, mesmo diante das injustiças que sofria, entregava-se àquele que julga retamente (1Pe 2.231Pe 2.23). Observem, mais uma vez, que o Senhor Jesus não entregava a Deus apenas os problemas, mas entregava-se totalmente a Deus, porque sabia que estava sob o seu cuidado. Esta é a base sobre a qual o apóstolo Pedro ordena aos irmãos aos quais escreveu, diante das horríveis provações pelas quais passavam, que eles deviam descansar em Cristo, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1Pe 5.71Pe 5.7).

É isso mesmo que Paulo nos ensina aqui nesse trecho que lemos. Quando conhecemos o nosso Senhor e lhe entregamos tudo em oração, ao invés da ansiedade, podemos experimentar a paz de Deus, que excede todo entendimento, e que guardará os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus (v.7).

Agora, prestem atenção, irmãos! O apóstolo fala de entendimento, coração e mente! Quando a nossa mente vagueia sem entendimento, ela pode levar o coração a aninhar a ansiedade, a apreensão, a angústia, ou qualquer outro sentimento que nos roube a paz de Deus. Pelo contrário, quando temos entendimento, quando somos capazes de afirmar como Paulo: eu sei em quem tenho crido (2Tm 1.122Tm 1.12), então, e somente então nós poderemos preencher a nossa mente com aquilo que é saudável, e agradável a Deus (vv.8-9).

Como o apóstolo sabe que a nossa mente pode nos pregar peças, ele nos incentiva a não deixá-la ocupada com outras coisas que não sejam as virtudes de Deus, que precisamos conhecer. Lembremos aqui, mais uma vez, o ensinamento do sábio Salomão: O homem é o que ele pensa. Por isso, como também ensina Paulo aos Romanos (Rm 12.2Rm 12.2), devemos sempre renovar a nossa mente, substituindo o conhecimento do velho homem, o conhecimento do mundo, pelo conhecimento do nosso Senhor e da sua maravilhosa salvação.

Enfim, é isso que deve preencher o coração de um salvo: Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco. Amém.