O poder transformador do evangelho – Rm 6.1-13

Queridos, como o apóstolo Paulo ensina, o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê (Rm 1.16Rm 1.16). Porém, o evangelho pregado hoje, e que agrada a multidões, é o evangelho da prosperidade, o evangelho da libertação, é o evangelho liberal que faz com que pessoas más se transformem em pessoas boas, ou pelo menos se achem melhores do que eram.

Obviamente, este é um evangelho falso, e isso não é nenhuma novidade. No tempo do apóstolo já havia pessoas ensinando que a graça de Deus se manifestaria mais abundante quanto mais os pecadores insistissem em pecar. Mesmo em nossos dias, não é raro ouvir supostos irmãos presbiterianos afirmar que podem pecar à vontade, porque são predestinados, e o apóstolo João afirma que se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1.91Jo 1.9). Além do mais, João também afirma que se pecarmos temos advogado junto ao Pai (1Jo 2.11Jo 2.1).

Irmãos, uma pessoa que pensa assim, seguramente nunca foi salva, nunca entendeu a maravilhosa graça da salvação, e, portanto, nunca será capaz de entender a maravilhosa graça da santificação, a mesma maravilhosa graça que levará o salvo à gloria eterna do Pai.

Todo aquele que foi justificado pelo sangue de Cristo será levado a compreender que os seus pecados não mais o condenarão ao inferno, e isso é verdade. Porém, todo aquele que foi justificado pelo sangue de Cristo também será levado a odiar o pecado que continua presente nesta vida, o pecado que levou o seu Salvador à cruz, e por isso lutará tenazmente para não pecar, em obediência e gratidão a Deus por tão grande salvação.

É isso que Paulo está ensinando aqui nesse trecho que lemos. Se fomos justificados, a sequência natural da nossa vida é a santificação que se segue obrigatoriamente à justificação. Conforme eu tenho insistido em dizer aos irmãos, só há uma forma de provar que fomos salvos: a obediência ao Senhor que nos salvou. Esta deve ser a luta incansável de um pastor, assim como era a luta dos apóstolos, claramente vista em suas cartas doutrinárias, no sentido de conduzir os irmãos em santidade de vida.

Como Paulo ensina, se entendemos a salvação, sabemos que éramos mortos em nossos delitos e pecados, mas Jesus morreu a própria morte na cruz do Calvário, e ressuscitou para que tenhamos vida juntamente com ele: Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou porventura ignorais… (vv.2-4).

Ou seja, quando nos batizamos estamos simbolizando a nossa morte para o velho homem, para o pecado, assim como também estamos simbolizando a nossa ressurreição como um novo homem, para a vida eterna com Cristo e em Cristo. Convém lembrar que, aqui, o apóstolo não está falando sobre forma de batismo, e sim no que ele representa: a morte e ressurreição de Cristo, e a nossa morte e ressurreição com Cristo e em cristo.

O batismo simboliza a nova natureza eterna que recebemos. Assim como Jesus foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Esta é a vida em abundância prometida por Cristo, e não vida melhor aqui neste mundo, como ensinam os falsos pastores com o seu falso evangelho.

Irmãos queridos, nós precisamos entender estas coisas. Nós precisamos introjetar estas coisas na nossa mente, no nosso coração, a fim de que vivamos e pratiquemos as boas obras de Deus. Ou nós nascemos de novo, ou não. Ou nós somos novas criaturas, ou não, e sabemos que não podemos conseguir isto pelo nosso próprio esforço. É Deus quem nos salva em Cristo Jesus, pela sua morte e ressurreição. É Deus quem nos conduz em santidade de vida, pelo poder do Espírito Santo que passa a habitar em nós a partir da justificação, e esta é uma realidade que precisa ser vista em nossas vidas (vv.5-7).

Percebem, irmãos, como Paulo é repetitivo? Eu sei que sou repetitivo em minhas pregações, e faço isso de propósito, exatamente porque é isso que vejo nos profetas do Velho Testamento, é isso que vejo nos ensinamentos do Senhor Jesus nos evangelhos, e é isso que vejo nas cartas apostólicas: repetição dos mesmos chamamentos ao arrependimento, e a uma vida de santidade. Esta é a tônica da mensagem do evangelho da salvação para salvar pecadores do inferno, e levá-los para a glória do Pai.

Então, vamos ver mais repetições (vv.8-10). Percebem a argumentação repetitiva e circular do apóstolo? Se é verdade que morremos com Cristo, e isso é simbolizado no batismo, então também ressuscitamos com ele, o que também é simbolizado no batismo. E se Cristo morreu a morte do pecado, então, juntamente com ele, não podemos mais estar sob o domínio do pecado que já foi morto na cruz. De igual modo, se Jesus ressuscitou, e nós cremos nisso, então nós também ressuscitamos com ele e agora vivemos para Deus: Assim também vós, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus (v.11).

A par dessa instrução tão repetitiva, resta conclamar os irmãos a tomar uma atitude coerente com o novo estado de vida recriado por Deus, em Cristo Jesus. É isso que um pastor, assim como Paulo, precisa lembrar constantemente aos irmãos, como ele conclui: Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça (vv.12-13).

Ou seja, se entendemos o ensino repetitivo do apóstolo, se realmente estamos cientes de que somos novas criaturas, recriados em Cristo Jesus, então somos chamados a provar essa verdade com as nossas vidas de obediência aos mandamentos do Senhor que nos salvou. Obviamente, como sabemos, nunca estaremos livres da tentação do pecado enquanto estivermos neste mundo, mas, como ele já foi morto na cruz, não podemos mais agir como se ainda fôssemos escravos do pecado.

Este é o ensinamento: antes de sermos salvos, éramos controlados pelo pecado. Uma vez justificados com a justiça de Jesus, o pecado não nos controla mais, já que a nossa mente, os nossos afetos, os nossos desejos agora são controlados e dirigidos pelo Espírito Santo que passa a habitar em nós a partir da conversão.

Este é o objetivo do evangelho da salvação: salvar pecadores do inferno, e levá-los para a glória do Pai. Esta é a vida em abundância prometida pelo Senhor Jesus Cristo, e quem a recebe é bem-aventurado em comprová-la no seu dia a dia. Este é o poder transformador do evangelho. E este é o papel de um pastor: insistir, lutar incansavelmente no sentido de conduzir os irmãos nos caminhos do Senhor.

Que Deus nos conceda graça para entender os seus ensinamentos, e nos conceda mais graça para que possamos obedecê-lo, comprovando, assim, a nossa salvação, para que o mundo saiba que o Senhor Deus está trabalhando para a redenção da sua criação, manifestamente no poder transformador do evangelho da glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.