A maravilhosa revelação de Deus aos eleitos – 1Pe 1.1-2

Queridos, naturalmente todos nós afirmamos que a Bíblia é a palavra de Deus, e que a palavra de Deus é a verdade. Logo, a Bíblia é a verdade segundo a qual nós devemos andar, conforme a vontade de Deus. A própria Bíblia nos afirma que as Escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo (2Pe 1.21), e que o mesmo Espírito concede a alguns o dom de pastores-mestres, para que os eleitos, os salvos sejam edificados, cresçam no conhecimento de Deus pela exposição da Palavra, que é a revelação da sua vontade, para que não se deixem levar por falsos ensinamentos (Ef 4.11-12). Afinal, o Senhor Jesus garante que os eleitos não serão enganados (Mt 24.24).

Pois bem, nestes dois versículos que lemos, muito embora, em princípio, enxerguemos apenas a saudação inicial de Pedro, há ensinamentos doutrinários preciosos acerca da salvação dos eleitos, o que nos deixa maravilhados com o conhecimento dos apóstolos, seja Pedro, um pescador, seja Paulo, um doutor. Afinal, eles foram ensinados pelo Senhor Jesus, e agora transmitem o mesmo ensino no poder do Espírito Santo.

Já pregamos nesse texto, com enfoque na obediência dos salvos como consequência natural da salvação. Agora, vamos examinar mais uma vez esta saudação, cheia da doutrina da salvação revelada por Deus aos seus eleitos.

Primeiramente precisamos chamar atenção para o fato de que Pedro escreveu aos eleitos, crentes perseguidos e espalhados por toda Ásia Menor por causa do evangelho de Cristo. Certamente eles foram ensinados que Deus cuidaria deles, que os livraria do mal, e como sempre, nós levamos estas coisas para o lado material. Então, é fácil imaginar que aqueles irmãos, novos convertidos, ainda imaturos, estavam sendo induzidos pelas circunstâncias a duvidar do cuidado de Deus, já que eles não tinham livramento da terrível perseguição de Roma, exatamente por causa da sua fé em Jesus Cristo.

Observem que aqui nós temos a doutrina da eleição. Pedro escreve aos eleitos, e não a todo mundo. E quem são os eleitos? São os salvos, os santos ou separados, os que são chamados para fora deste mundo, no sentido de que não se conformem com o mundo corrompido. Por isso Pedro os chama de forasteiros da dispersão. Forasteiros em todos os sentidos: forasteiros por estarem peregrinando em terras estranhas por causa da perseguição, e forasteiros porque não são deste mundo, e por isso são perseguidos.

Aos mesmos eleitos, porque também são forasteiros, João ensina que não devem amar o mundo (1Jo 2.15); Aos mesmos eleitos, porque também são forasteiros, Tiago ensina que não devem ser amigos do mundo (Tg 4.4); Aos mesmos eleitos, porque também são forasteiros, Paulo ensina que estão aqui como embaixadores de Cristo (2Co 5.20). Os eleitos, os salvos são forasteiros neste mundo corrompido, até que ele seja redimido.

Em segundo lugar, precisamos observar nesta saudação, que os eleitos foram chamados para fora, para serem santos, separados, não por vontade própria, mas pela vontade daquele que os elegeu e os chamou. É por isso que Pedro se apressa a explicar logo no v.2 – eleitos segundo a presciência de Deus Pai.

Nós não afirmamos que a Bíblia é a palavra de Deus, e que a palavra de Deus é a verdade? Pois bem, é na Bíblia que encontramos vasto ensinamento sobre esta doutrina da eleição dos santos, e muitos ditos crentes não a aceitam. Disse Deus a Israel: Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra (Dt 7.6). Disse Jesus aos seus discípulos: Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros (Jo 15.16). É a favor dos eleitos que o Senhor Jesus ora: É por eles que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (Jo 17.9). A salvação não é para todo mundo, e o Senhor Jesus deixa isso bem claro, quando diz: Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos (Mt 22.14).

É verdade que a oferta de salvação é para todos, indistintamente, mas a eleição é assunto decidido na eternidade, como Paulo ensina aos Efésios: assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade (Ef 1.4-5). Como Paulo também ensina a Timóteo: Deus nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (2Tm 1.9). É para estes, os eleitos de Deus, os forasteiros deste mundo que Pedro escreve. Será que todos aqui são destinatários desta carta?

V.2 – Aqui também temos a doutrina da Santíssima Trindade, mas não vamos tratar desse assunto agora. O que nos interessa agora é: Eleitos segundo a presciência do Pai. Aqui nós precisamos clarificar o entendimento, uma vez que o termo presciência, na grande maioria das vezes, é entendido apenas como conhecimento prévio, o que não é o caso desta mensagem de encorajamento de Pedro aos eleitos, aos forasteiros.

A palavra usada por Pedro é semelhante à usada por Paulo em Rm 8.29, quando ensina que, aos que Deus de antemão conheceu, também os predestinou…. Os dois apóstolos, um pecador e um doutor, usam a mesma terminologia, com a mesma significação, com a mesma intenção incompreendida por muitos nas duas leituras. Eles não estão dizendo que Deus já conhecia a nossa intenção de escolhê-lo, e por isso nos escolheu. Em Rm 8.29, Paulo não está tratando de intenções das pessoas, mas de pessoas: aos que Deus de antemão conheceu. Pessoas, e não as suas intenções.

Pedro, por sua vez, está exatamente ensinando que foi Deus quem nos elegeu, e por isso mesmo, ele cuidará de nós. A palavra traduzida como presciência é a mesma que Pedro utiliza no v.20 deste cap.1, quando diz que Jesus foi conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo. Esta é uma palavra que traduz uma intimidade profunda, eterna. É a mesma palavra usada por Jesus, quando diz: As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem (Jo 10.27); é também a mesma palavra usada por Jesus quando afirma em Mt 7.23, que no último dia, muitos ouvirão do Pai: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

Portanto, os eleitos segundo a presciência do Pai são os mesmos que Deus de antemão conheceu, são as ovelhas que Jesus conhece, assim como ele foi conhecido do Pai antes da fundação do mundo. Ou seja, os eleitos são os amados do Pai desde a eternidade. Quanto aos que ele nunca conheceu, conforme o Senhor Jesus declara aos falsos profetas, não quer dizer que Deus previu que eles não o escolheriam, e sim que Deus nunca os amou desde a eternidade, e por isso não os escolheu, e por isso mesmo eles não seguem a Cristo. Estes permanecem nativos do mundo corrompido, que é o seu mundo secular natural.

Em terceiro lugar, nós podemos ver nesta saudação, a finalidade da nossa eleição: em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo. Como já dissemos, aqui nós temos a doutrina da Santíssima Trindade: o Pai elege, o Filho justifica com o seu sangue, e o Espírito santifica. Observem que eleição não é a mesma coisa que salvação. Eleição é um dos aspectos da salvação de Deus, em Cristo Jesus, que também inclui a santificação como obra do Espírito Santo nos eleitos. É como também Paulo ensina aos Tessalonicenses; Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do Espírito e fé na verdade (2Ts 2.13).

Irmão, como esta revelação é maravilhosa! A Trindade Santíssima está envolvida na nossa salvação como um todo: eleição, chamado, justificação, adoção, santificação e glorificação. Portanto, não é possível que um eleito não chegue à glória. A obra da salvação é completa, e por isso mesmo, temos a continuação do versículo: para obediência e aspersão do sangue de Cristo. Já pregamos sobre este ponto.

Queridos, como já foi dito, a revelação de Deus é para os seus eleitos, para os seus santos, para os forasteiros deste mundo. Portanto, eu insisto, é impossível que um eleito não cresça em santidade de vida, perseverando na doutrina, o que é sinônimo de obediência ao Senhor Jesus Cristo, pela ação soberana do próprio Espírito que nos conduz segundo a vontade de Deus.

Os eleitos, quando recebem esta revelação de Deus acerca da sua salvação, não podem deixar de ficar maravilhados; não podem deixar de se sentir servos do Senhor que os salvou; nem podem deixar de agir como servos obedientes, zelosos em fazer a vontade do seu Senhor e Salvador, sejam quais forem as circunstâncias. A coisa mais agradável na vida de um eleito é fazer a vontade do Pai, mesmo sabendo que o seu padrão é altíssimo, porque ele é Santíssimo.

Por isso mesmo, as Escrituras também nos revelam que o poder para atingir esse padrão do Pai não está em nós, mas no Espírito Santo que nos conduz a Cristo. Sabemos que o seu sangue foi aspergido sobre nós, como símbolo da aliança, como símbolo da promessa de Deus em salvar um povo eleito, uma nação santa, sacerdócio real no reino de Deus, a fim de proclamarmos as virtudes daquele que nos salvou. Toda essa doutrina maravilhosa contida nesta saudação, é desenvolvida por Pedro ao longo da carta.

Queridos, eu espero que todos tenham compreendido perfeitamente estes ensinamentos do apóstolo Pedro, porque só os eleitos podem compreendê-los. Eu espero que todos se sintam radiantes por esta revelação tão maravilhosa acerca da nossa salvação, e que todos nós sejamos muito mais emprenhados e diligentes em fazer a vontade de Deus, sabendo que foi ele que nos elegeu soberanamente pelo beneplácito da sua vontade; foi ele que nos salvou soberanamente em Cristo Jesus, e é ele que nos santifica soberanamente pelo seu Espírito, através da Palavra revelada, para a obediência ao nosso Senhor Jesus, para louvor da sua própria glória.

Esta é a maravilhosa revelação de Deus aos seus eleitos para a salvação, revelação que tanto nos conforta e encoraja, encontrada em uma aparentemente simples saudação apostóluica. Que Deus nos conceda graça para entender a revelação da sua Palavra, e mais graça para obedecê-la. Amém.

Categoria: MENSAGENS
Publicado em por Pr. Juarez Rodrigues