O arrependimento é a base para uma vida cristã coerente – Mt 21.28-32

Queridos, a pregação do Evangelho de Deus sempre apresenta o arrependimento como ponto de corte entre a condenação e a salvação. Ou seja, sem arrependimento não há perdão, e sem perdão não há salvação. Por isso, a pregação dos profetas do Velho Testamento, a pregação de João Batista, a pregação do Senhor Jesus e dos apóstolos estão rigorosamente afinadas no mesmo tom: arrependei-vos e crede na Palavra de Deus; crede em Jesus, o Cristo de Deus, que é a própria Palavra encarnada.

Por que, então, não se ouvem mais pregações sobre arrependimento? Porque a palavra arrependimento, por conceito, pressupõe o reconhecimento do erro, e na sociedade pós-moderna secularizada, individualista em que vivemos, ninguém quer admitir que esteja errado, já que cada um tem a sua própria verdade.

Esse trecho que nós lemos trata de arrependimento, que quer dizer mudança de direção, mudança de atitude, e isso só acontece quando admitimos que estamos errados. Vemos que Jesus propôs esta parábola aos principais sacerdotes e anciãos, que eram os religiosos da época, pretensos guardiões da Palavra de Deus, e no entanto, sequer reconheciam que Jesus era a própria Palavra de Deus encarnada, o Cristo de Deus que veio habitar entre os homens. Como não reconheciam o seu erro, não havia como se arrepender, e por isso, o Senhor afirma no v.31 que eles estavam mais distantes do reino de Deus do que os ladrões e as prostitutas.

E nós, como saber se não estamos iguais àqueles religiosos, que pensavam ser crentes, mas não eram? Como comprovar que realmente nos arrependemos? Vamos aprender com a mesma Palavra de Jesus, que é eterna.

 Em primeiro lugar o Senhor Jesus nos ensina através do primeiro filho da parábola, que confissão de fé sem arrependimento é pura hipocrisia. Este primeiro filho da parábola representa aqueles ouvintes originais de Jesus, os escribas e fariseus, mas também representa todos os que se dizem crentes, que vêm à igreja regularmente, mas não agem como novas criaturas em Cristo Jesus. A sua devoção é meramente exterior, só de fachada. Como o primeiro filho da parábola, dizem que fazem, mas não fazem. A sua confissão de fé não é genuína, é falsa, uma vez que não produz frutos dignos de arrependimento, como exigia João Batista em suas pregações, citado pelo Senhor Jesus (v.32).

Como é triste perceber claramente esse tipo de conduta na vida de muitos membros da Igreja. Porém, pela graça de Deus, ao mesmo tempo em que nos angustiamos com essa triste realidade, a responsabilidade pastoral é estimulada, e aumenta o desejo de ensinar aos irmãos, de mostrar-lhes que a secularização individualista invadiu a igreja, contaminou a Igreja. Não há dúvida de que muitas pessoas batizadas, crentes e filhos de crentes, estão contaminados pela secularização, já que a sua conduta não evidencia a vida de uma nova criatura em Cristo Jesus, e nós precisamos mostra-lhes o seu erro.

Ora, como o apóstolo Paulo nos ensina em 2Co 5.17, 2Co 5.17, aquele que está em Cristo é nova criatura, e essa mudança radical é, obrigatoriamente, fruto do arrependimento que propicia o perdão que nos garante a salvação, para as boas obras. Então carece de ensinar e perguntar: Esposa, você é crente? É nova criatura? Então seja submissa ao seu marido, e seja-lhe a auxiliadora idônea como o Senhor mandou. Marido, você é crente? É nova criatura? Então ame a sua esposa sobremodo, como o Senhor mandou. Filhos, vocês são crentes? São novas criaturas? Então sejam obedientes aos seus pais em tudo, como o Senhor mandou. Pais, vocês são crentes, são novas criaturas? Então ensinem os seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor, como o Senhor mandou.

Prestem atenção, queridos: dizer que é crente sem apresentar frutos dignos de arrependimento é pura hipocrisia, o que deixa o pretenso crente em pior situação do que ladrões e prostitutas. Por isso, precisamos responder com absoluta certeza: Somos crentes, ou não? Jesus Cristo é o nosso Salvador e Senhor das nossas vidas, ou não?

Em segundo lugar o Senhor Jesus nos ensina através do segundo filho da parábola, que o arrependimento gera uma vida de obediência, e autentica a nossa confissão de fé. Enquanto o primeiro filho disse que ia trabalhar na vinha do seu pai, mas não foi, o segundo respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi (v.30).

Como já falamos, a palavra arrependimento significa um redirecionamento da nossa vontade, e isso só pode ser feito pelo poder do Espírito Santo. A evidência segura de que somos novas criaturas não é o que dizemos, e sim, o que vivemos e fazemos; é a nossa conduta de crentes que autentica o que dizemos.

Por isso eu fico triste e angustiado quando percebo membros da Igreja agindo errado de forma contumaz, porque sei que tais pessoas nunca receberam o dom do arrependimento, da salvação, o que pode ser observado em três estágios sequenciais: O primeiro estágio é o reconhecimento do pecado; o segundo estágio é a tristeza que essa compreensão causa na pessoa arrependida; finalmente, o terceiro estágio é a vontade e a decisão segura de mudar. Vemos essa sequência claramente no caso do filho pródigo (Lc 15.11-32Lc 15.11-32): primeiro, ele reconheceu o seu erro; segundo, ele ficou triste por haver pecado contra Deus e contra o seu pai; terceiro, a sua vontade foi modificada e ele tomou a decisão de voltar e pedir perdão.

Com o segundo filho da parábola que lemos aconteceu exatamente a mesma coisa: embora tenha respondido ao seu pai que não queria trabalhar na vinha, reconheceu que estava errado, arrependeu-se, e resolveu obedecer. O arrependimento gera uma vida de obediência, e autentica a nossa confissão de fé.

Em terceiro lugar aprendemos com o Senhor Jesus que o arrependimento é graça de Deus, e é a obediência que evidencia se recebemos essa graça ou não. O Senhor Jesus deixa isso bem claro quando diz aos orgulhosos fariseus, que prostitutas e ladrões os precederiam no reino de Deus. Embora os fariseus fossem os líderes religiosos que bradavam nos cantos das praças e nas sinagogas que eram santarrões, diziam, mas agiam de forma diferente; nunca se arrependeram, nunca creram em Jesus Cristo, o Filho de Deus, ao passo que publicanos e meretrizes creram, como ele afirma nos vv.31 e 32.

Provavelmente Jesus tinha em mente pessoas como a mulher apanhada em adultério, a mulher samaritana, Mateus e Zaqueu, prostitutas e ladrões que se arrependeram, e foram salvos pelo Senhor. Vemos, então, que reconhecidos pecadores podem se arrepender e ser salvos por Cristo, ao passo que pessoas que pensam ser crentes, sequer admitem o seu pecado, que é o primeiro estágio do arrependimento.

Irmãos, queridos, iniciamos dizendo que a doutrina do arrependimento perdeu espaço nos nossos púlpitos, e sem nenhuma dúvida, esse é um dos motivos pelo qual vemos tanta incoerência na vida de muitos ditos crentes. Como dizia Jesus, quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Se Cristo é o nosso Salvador, então ele é também Senhor das nossas vidas, pelo que devemos obedecê-lo incondicionalmente.

Por isso, prestem bastante atenção! Aos que se dizem crentes, mas não agem como tais, o próprio Senhor Jesus perguntou: Por que me chamais, Senhor, Senhor, se não fazeis o que vos mando? (Lc 6.46Lc 6.46). Ou seja, incoerência entre o discurso e a prática não passa de hipocrisia, e o Senhor Jesus diz que os hipócritas estão em pior situação do que as prostitutas e os ladrões.

Consideremos estas coisas, e roguemos ao Senhor que, em sua misericórdia, nos conceda a graça do arrependimento a cada dia para que, de forma radical, possamos viver em santidade de vida cada vez maior, seguindo a doutrina que é ensinada em todos os encontros da nossa igrejinha, para louvor da glória de Deus. Amém.