A diferença entre o religioso e o salvo – Sl 11.1-7

Queridos, como eu costumo dizer a vocês, ao analisar a vida dos santos de Deus no texto bíblico, não podemos deixar de sentir uma santa inveja do conhecimento que aqueles homens tinham de Deus, conhecimento demonstrado através da sua fé inabalável. Que diferença da suposta fé que vemos hoje. Uma fé tão banalizada a ponto de ser transformada pelas igrejas em produto de consumo nos templos e na televisão; uma fé tão leviana, a ponto de as pessoas acharem que têm crédito diante de Deus, e que têm direito ao seu reino. Esse tipo de atitude é fruto de uma religiosidade estéril, e não da salvação. Isso é fruto da falta de conhecimento da sã doutrina, fruto da ausência de Deus.

A Palavra nos ensina que a fé é um dom de Deus, como lemos em Ef 2.8Ef 2.8 – Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus. Ora, como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, nós pensamos, sentimos e agimos. Portanto, certamente ele usa o intelecto que nos concedeu para que entendamos a sua Palavra, e possamos crer que ela é a verdade. Ele usa as emoções que nos concedeu para que, crendo que fomos escolhidos para a salvação, nos alegremos em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Como consequência, Deus opera na vontade própria que ele nos concedeu para que desejemos cada vez mais nos assemelhar a Cristo, no momento em que nos entregamos a Deus totalmente, sem reservas, a exemplo de Jesus.

Ah! Queridos, como é desejável que tenhamos um maior conhecimento de Deus, como é desejável que busquemos esse conhecimento através do estudo diligente da sua Palavra, para que tenhamos total confiança em Deus, como o salmista tinha, e não sejamos apenas religiosos que participam de ritos puramente culturais, chamados de culto.

Seguramente, há muitos nas igrejas que vivem assim. São pessoas religiosas acostumadas a ouvir a Palavra, mas não a recebem em seus corações. Outras há que ouvem, recebem, mas não conseguem se alegrar no Senhor. Há ainda aquelas que ouvem, recebem, se alegram, porém, não se entregam a Deus totalmente, incondicionalmente, porque em todos os casos, o recebimento da Palavra ficou limitado ao nível do intelecto e das emoções. Por isso, o relacionamento destas pessoas com Deus é algo superficial, banal e até leviano. Elas buscam a Deus apenas na medida dos seus próprios sentimentos, da sua própria vontade, e não na medida do conhecimento de Deus, e do que Deus deseja e requer delas. Elas não conhecem o seu Criador, como o salmista Davi conhecia.

Realmente, quando lemos os Salmos de Davi, sentimos uma inveja santa da confiança advinda da fé que este servo de Deus depositava no seu Senhor, fé alicerçada no conhecimento de Deus, como vemos neste Salmo 11. Vamos examiná-lo mais de perto.

Logo nos primeiros versículos nós vemos que Davi, mesmo enfrentando perigo, já que precisava de refúgio, tinha uma percepção totalmente diferente das pessoas com quem dialogava: Enquanto ele manifestava a sua total confiança em Deus, declarando: no Senhor me refugio, os seus interlocutores o aconselhavam a fugir para o monte, porque os ímpios armam o arco, dispõem a sua flecha na corda para, às ocultas, dispararem contra os retos de coração (vv.1-2).

Observem que, pelo fato de Davi saber que o Senhor o amava e o guardava, ele demonstra indignação diante do conselho equivocado, e reage: Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? (v.3). O que ele quis dizer com isso? Como podemos interpretar estas palavras de Davi? Ora, se o errado virou o certo; se o mal se tornou em bem; se não há mais justiça na terra, e se Deus não olhar por nós, como poderá viver o justo? Acaso adiantará fugir para algum lugar?

Será que essa situação é estranha para nós, irmãos? Será que a situação vivenciada por Davi não é rigorosamente atual? Diante do que vemos diariamente nos telejornais, a começar pelos poderes constituídos, o errado não virou o certo? Aqueles que deveriam legislar em favor do povo, o fazem de forma errada em proveito próprio; os que deveriam governar visando ao bem-estar do povo, sugam todas as energias do povo através de impostos escorchantes; os que deveriam fazer cumprir as leis no sentido de proporcionar segurança ao povo, são subservientes ao governo e ao poder econômico, julgam e condenam injustamente os que não têm recursos. Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? Acaso adiantará fugir para algum lugar?

Neste Salmo vemos que a vida física de Davi estava em perigo, assim como a nossa vida espiritual também está. Portanto, prestem atenção! Assim como, Davi recebeu conselhos equivocados para confiar no refúgio dos montes, nós também ouvimos diariamente pregações equivocadas para confiar nos nossos próprios sentimentos, o que detona o nosso relacionamento com Deus. Pela sua intimidade com Deus, Davi concluiu que aquele conselho era equivocado, porque não era apenas um religioso, e sim, um servo que conhecia e confiava no seu Senhor. Ele preferiu confiar nas promessas de Deus. Afinal, ele sabia como Deus o vinha protegendo durante a perseguição assassina de Saul.

O texto de 1Sm 23.14 1Sm 23.14 nos diz que permaneceu Davi no deserto, nos lugares seguros, e ficou na região montanhosa do deserto de Zife. Saul o buscava todos os dias, porém Deus não o entregou na sua mão. Percebem, irmãos? O texto deixa bem claro que não foram o deserto e as montanhas que protegeram Davi, e sim o Senhor, e Davi tinha plena consciência disso. Percebem, irmãos? Não podemos substituir Deus por aquilo que imaginamos que ele é. Somente quando conhecemos verdadeiramente o nosso Deus, e o seu amor por nós, mesmo diante de situações as mais difíceis, podemos dizer como Davi: No Senhor me refugio.

É bom lembrar que as experiências dos servos de Deus estão registradas nas Escrituras para o nosso ensino, como escreveu o apóstolo Paulo em Rm 15.4 Rm 15.4 Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito.

Portanto, devemos aprender com esta experiência de Davi, e saber por que ele tinha plena confiança no Senhor. Como eleito de Deus, como um salvo, Davi possuía a genuína fé com base no conhecimento, o que lhe proporcionava uma confiança inabalável no Deus soberano, como expressa no v.4 – O Senhor está no seu santo templo; nos céus tem o Senhor o seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. Ele sabia que podia confiar no Deus justo, que ama a justiça, como expressou no v.7. Davi não confiava nos seus próprios sentimentos baseados em dogmas religiosos e falsos ensinos. Ele conhecia o Deus Todo-poderoso.

Queridos, assim como Davi, mais do que seguir uma simples tradição religiosa, nós devemos conhecer o nosso Deus soberano, ter intimidade com ele, e confiar na sua providência. Devemos ter em mente, que Deus sabe das nossas necessidades, antes mesmo que tenhamos consciência delas. Porém, esse conhecimento também nos traz a certeza de que Deus, na sua sabedoria, nem sempre nos dá aquilo que pedimos, mas sempre nos dá o que necessitamos, para que andemos na dependência da sua graça, do seu amor e da sua proteção, como Davi andava.

É com esse conhecimento de Deus que Davi inicia o salmo declarando sua confiança inabalável: no Senhor me refugio (v.1), e conclui demonstrando o fruto de uma fé que alcança a eternidade: Porque o Senhor é justo, ele ama a justiça; os retos lhe contemplarão a face (v.7). Observem que a confiança do salmista extrapola a dimensão temporal: os retos lhe contemplarão a face, e nós sabemos que isso só acontecerá na dimensão da eternidade, quando o Senhor vier buscar a sua igreja.

Irmãos queridos, uma confiança assim, necessariamente é fruto da fé colocada em prática a partir do conhecimento, fé que Deus concede pela sua graça, e os religiosos não possuem esta fé. Todo aquele que recebe esta fé, como o salmista Davi, busca um relacionamento cada vez mais íntimo com o Senhor, através do estudo diligente da sua Palavra, estudo que leva ao conhecimento prático, conhecimento que estimula a confiar cada vez mais no Senhor da Palavra.

Somente possuindo uma confiança inabalável no Senhor, fruto do conhecimento e da intimidade que Davi tinha com Deus, nós podemos enfrentar este mundo, sem nos contaminar com ele, como acontece com os religiosos. Este é o nosso desafio como igreja: que não sejamos apenas religiosos confiados em nossos próprios sentimentos, com base em dogmas de igrejas, mas que demonstremos absoluta confiança no nosso Senhor, como fruto do conhecimento, da fé que ele mesmo nos concede pela sua graça, e demonstrar a glória de Deus em nossas vidas, e através de nossas vidas, para louvor da sua própria glória. Amém.