A ressurreição de Jesus – Lc 24.1-12

Queridos, hoje é o domingo de páscoa, o dia em que Cristo ressuscitou. Hoje termina o feriado da chamada Semana Santa que envolve os três dias da paixão de Cristo, conhecida como a páscoa cristã. A mensagem do boletim de hoje contém ensinamento sobre o vínculo existente entre a páscoa original dos hebreus, e a páscoa cristã.

Diferentemente da páscoa cultural, mercantil, a páscoa cristã tem a ver com libertação de cativeiro, tem a ver com remissão de pecados, tanto na páscoa original dos hebreus, como na páscoa cristã. Assim como a morte do cordeiro na páscoa original remiu e libertou o povo hebreu do cativeiro Egípcio, a morte de Jesus, o Cordeiro de Deus, na páscoa cristã, nos remiu e nos libertou do cativeiro do pecado, e do inferno.

Sabemos que o conceito de morte é incompatível com o conceito de vitória, mas, neste caso específico, a morte de Jesus na cruz do Calvário foi a vitória cabal sobre o pecado, sobre o mundo, sobre Satanás, e sobre a própria morte. Jesus ressuscitou, e esse texto que lemos tem algumas lições a nos transmitir com respeito à ressurreição de Jesus.

Em primeiro lugar nós podemos constatar à luz do texto que a ressurreição de Jesus é uma realidade. No primeiro dia da semana, após o dia de descanso (sábado) que Jesus permaneceu no sepulcro, as mulheres chegaram lá e não encontraram mais o corpo. Quem poderia tê-lo retirado de lá? Os sacerdotes, escribas e fariseus que urdiram a sua morte? Não tem lógica, porque neste caso eles apresentariam o corpo para desmentir a ressurreição de Jesus.

Teria sido os discípulos, como disseram os soldados que guardavam o sepulcro, pagos que foram para mentir? Também não tem nenhuma lógica. Como vimos no domingo passado, os discípulos ficaram tão amedrontados com a crucificação de Jesus, que todos fugiram dali. Além do mais, o que eles ganhariam roubando um morto? Até então eles ainda não haviam entendido que Jesus, o Cristo de Deus, haveria de ressuscitar.

A única explicação plausível é a que foi revelada pelos anjos às mulheres, conforme está escrito nos vv.5-7 – Porque buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu estando ainda na Galiléia, quando disse: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores e seja crucificado e ressuscite no terceiro dia.

A ressurreição de Jesus é um fato histórico confirmado por centenas de testemunhas, como está registrado pelos apóstolos, e é um dos fundamentos do evangelho. Assim Paulo escreveu aos Coríntios: E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé. (…) Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes dos homens (1Co 15.14 e 19).

É a ressurreição de Jesus que nos assegura que nós também ressuscitaremos no Dia do Senhor. A segurança que temos de que ele conquistou para nós a vida eterna com a sua morte, é exatamente o fato de ele haver ressuscitado, como também afirma o apóstolo Pedro: Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1Pe 1.3). Esta é a base da nossa esperança de vida eterna: Jesus morreu pelos nossos pecados, e ressuscitou para que vivamos com ele na glória eterna do Pai.

Em segundo lugar, podemos observar nesse texto, como nós esquecemos tão facilmente as Palavras do Senhor. Os anjos tiveram que lembrar às mulheres: v.6 – Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia. Fazia tão pouco tempo, e tanto as mulheres como os discípulos que ouviram várias vezes Jesus lhes dizer que importava que ele fosse morto e ressuscitasse ao terceiro dia. Ninguém lembrava mais das palavras do Senhor.

Será que hoje é diferente, queridos? Será que a causa da maioria das dificuldades pelas quais passamos não é exatamente porque esquecemos tão facilmente as Palavras do Senhor, e ainda nos aborrecemos quando o pastor insiste em nos lembrar? Tantas coisas boas, tantos tesouros, tantas bênçãos prometidas pelo Senhor, que desperdiçamos simplesmente porque esquecemos as suas Palavras, e haja problema para resolver: perdão não liberado, que gera amargura; desobediência, que gera confusão e depressão. Haja problema, simplesmente porque esquecemos os mandamentos do Senhor.

É por isso que insistimos tanto em ensinar a Palavra do Senhor. Porque as coisas que estão gravadas no nosso coração são lembradas mais facilmente, como lembramos dos nossos pais, dos nossos cônjuges e filhos. Precisamos nos apegar à Palavra de Deus, para tê-la sempre na memória, como ensina o salmista: Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti (Sl 119.11; como ensina o autor da carta aos Hebreus – Por essa razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos (Hb 2.1). Portanto, ninguém se aborreça com a insistência do pastor em ensinar e lembrar a Palavra do Senhor. Esta é a essência do ofício de um pastor fiel ao Senhor que o constituiu para pastorear as suas ovelhas.

Por último, esse texto sobre a ressurreição de Jesus nos faz lembrar como o nosso Senhor é maravilhoso, capaz de transformar o mal em bem, conforme o seu propósito. Já vimos como os discípulos esqueceram tão facilmente as palavras do Senhor, e não acreditaram nas mulheres que já haviam sido lembradas pelos anjos. O v.11 nos diz que quando elas lhes contaram o que haviam visto e ouvido, tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.

Apesar de tantos ensinamentos do Senhor, apesar do testemunho das mulheres, apesar de não haver outro motivo razoável para o túmulo se encontrar vazio, os discípulos não acreditaram. Não parece incrível isso? E hoje, será que é diferente? Quantos crentes professos vivem nas igrejas agindo como se Cristo não tivesse morrido, ressuscitado e prometido que voltará para julgar o mundo e buscar a sua Igreja?

Nesse caso dos discípulos, nós podemos contemplar a infinita sabedoria de Deus, transformando uma atitude errada dos discípulos em uma grande bênção para nós. A incredulidade inicial dos discípulos, para nós, é exatamente uma das grandes evidências da ressurreição de Jesus. Quando eles foram convencidos pelo próprio Cristo ressurreto, proclamaram o seu evangelho em todos os lugares, de forma a entregar a vida pelo seu testemunho, e ninguém, em sã consciência, testemunharia sobre algo que não fosse absolutamente verdadeiro, à custa da própria vida. Isso é inquestionável.

Jesus, o Cristo de Deus ressuscitou, e isso nos garante que ressuscitaremos com ele no último dia, como testemunharam os apóstolos, e morreram por este testemunho. Aleluia! Exultemos, queridos! Hoje é o domingo de páscoa, o dia em que Jesus ressuscitou! Esta é uma realidade que não podemos esquecer, e não há bênção maior aqui na terra do que saber e seguir os ensinamentos que ele nos deixou, fazendo exatamente como ele mandou, a fim de que, pelo nosso testemunho, os seus eleitos sejam todos reunidos na sua Igreja.

Como Jesus morreu e ressuscitou, a prova de que cremos na sua palavra é a nossa obediência incondicional, até que ele volte para buscar os eleitos que o Pai lhe deu desde antes da fundação do mundo, para louvor da sua glória. Que Deus nos abençoe com a compreensão e a obediência à sua palavra! Amém.

Categoria: MENSAGENS
Publicado em por Pr. Juarez Rodrigues