A diferença entre os perversos e os filhos de Deus – Mt 5.38-48

 

Queridos, este trecho que lemos faz parte do Sermão do Monte. Como eu já lhes disse tantas vezes, esse sermão do Senhor Jesus ensina exatamente o contrário do que aprendemos e fazemos no nosso dia-a-dia, inclusive em nossas casas, e até mesmo nas igrejas. Mais adiante, no Cap. 7.12, o Senhor sintetiza todos os ensinamentos anteriores, com respeito aos nossos relacionamentos interpessoais, dizendo: Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles: porque esta é a lei e os profetas. Segundo os teólogos, esta é “a regra áurea”, ou “a regra de ouro”.

Mas hoje nós vamos meditar somente nesse trecho, vv. 38 ao 48, que contrapõe o ódio, o sentimento de vingança próprio dos perversos, ao amor cristão dos justos, os filhos de Deus.

Podemos ver nestes versículos que o Senhor nos proíbe qualquer coisa parecida com um espírito vingativo, contencioso, um espírito que não esteja disposto a perdoar. Nós sabemos que temos a inclinação pecaminosa por guardar ressentimentos que nos levam ao desejo de vingança. Uns mais, outros menos. Alguns se ofendem com qualquer coisa; outros têm uma disposição contenciosa e briguenta; outros têm pouco ou nenhum zelo em cumprir os seus deveres, mas não abrem mão dos seus pretensos direitos, e tudo isso é contrário à mente de Cristo, conforme vemos nos seus ensinamentos.

Muito embora esses maus hábitos sejam naturais no mundo pervertido em que vivemos, eles não fazem parte do caráter cristão. Não foi assim que Jesus nos mandou agir: v. 39 – não resistais ao perverso. Sabem por que, irmãos? Porque quando resistimos ao perverso, a tendência é pagarmos na mesma moeda, na base do olho por olho, dente por dente (v. 38), e nesse caso, nos tornamos iguais ao perverso. Para nos preservar dessa desgraça, é que o Senhor Jesus nos ordena que cultivemos um espírito de amor e benevolência para com todos os homens; que devemos pôr de lado toda malícia; que devemos pagar o mal com o bem, e a maldição com bênçãos.

Será que esse ensinamento é radical? Claro que é! É o novo se contrapondo ao velho: Ouviste o que foi dito: Eu, porém, vos digo (vv. 38-39). Será que é polêmico? Claro que é! É o amor se contrapondo ao ódio (vv. 43-45a). Será que não é um ensino ultrapassado? É claro que não! Ultrapassada é a lei que diz: olho por olho, dente por dente. Essa lei só valeu para o povo de Israel, e em um determinado contexto. Não vale para os cristãos (vv. 46-48).

Jesus cumpriu a lei, e toda a maldição da lei caiu sobre ele. O seu ensinamento contém aspectos espirituais superiores à letra da lei. Pela iluminação do Espírito, quanto mais nós meditamos nas palavras do Senhor Jesus, mais revelações espirituais nós recebemos, iluminados pelo mesmo Espírito Santo que inspirou a Palavra.

Foi inspirado pelo Espírito Santo que o apóstolo Paulo repetiu esse mesmo ensinamento do Senhor Jesus em Rm 12.9 Rm 12.9 – Abençoai os que vos perseguem, abençoai, e não os amaldiçoeis, e ele continua no v. 19 – não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar a ira; porque está escrito: ‘A mim me pertence a vingança’; eu retribuirei, diz o Senhor. Esta é uma citação de Dt 32.35, eDt 32.35, e, embora o apóstolo não deixe claro, no v. 20, ele continua citando Pv 25.21-22 Pv 25.21-22 quando diz: Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isso, amontoarás brasas vivas sobre sua cabeça.

Percebam o que eu tenho dito sempre: O Senhor Jesus não ensinou nenhuma novidade, senão o que já estava na lei de Deus. Ele era a novidade, e apenas aprofundou o ensinamento da Lei, elevando-o da letra morta, para a esfera espiritual e viva. O apóstolo Paulo, por sua vez, ensinou o que recebeu de Jesus, e como era um fariseu, profundo conhecedor da Lei, fez citações do Velho Testamento, para provar a uniformidade da sã doutrina.

Irmãos, conquanto seguir estes ensinamentos seja impossível para o mundo, eles se tornam possíveis àqueles que creem. Simplesmente devemos obedecer pela fé, em submissão ao Senhor. O ensinamento do Senhor Jesus é que cultivemos um espírito de amor e benevolência para com todos os homens. É isso que quer dizer negar-se a si mesmo, negar o seu eu, sofrer o dano, uma atitude frontalmente contrária à do perverso.

Não podemos negar que, como o perverso, o nosso “eu” quer vingança quando somos ofendidos e maltratados, mas o Senhor Jesus nos diz: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas (vv. 39-41).

O que Jesus nos ensina aqui? Obviamente, todos esses termos são metafóricos. Portanto, essas exigências não devem ser interpretadas ao pé da letra. O que Jesus está ensinando é que nós, como cristãos, como testemunhas do seu evangelho, precisamos tolerar muita coisa, suportar muita coisa, engolir muito sapo, como se diz por aqui.

Precisamos perdoar ao invés de revidar, de nos vingar. Não podemos revidar, ofendendo e maltratando outras pessoas, como se fôssemos iguais aos perversos. Como Cristãos, devemos nos mostrar altruístas. Altruísta é aquele que pensa mais no bem-estar do outro, do que no seu próprio. Foi isso que Jesus fez. Abriu mão da sua glória, do seu bem-estar e se sacrificou por nós, para nos salvar, para nos santificar, para nos transformar iguais a ele. É esse sentimento que devemos ter, como Paulo ensina em Fp 2.5Fp 2.5.

Por isso, irmãos, sigamos os ensinamentos e o exemplo do nosso Mestre: Dá ao que te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes (v. 42). Novamente, lembramos que o ensino aqui não é exatamente dar ou emprestar alguma coisa a alguém. O ensino é que devemos ser solícitos, prontos a ajudar a quem precisa, assim como gostaríamos que fizessem conosco.

Mas, pastor, este padrão não é muito elevado? Claro que é! É o padrão do Deus Santíssimo. Então, é impossível para nós, pecadores. É verdade! Mas, Deus não mandou? Não somos seus filhos? Precisamos obedecer pela fé, ou então não nos tornamos filhos de Deus (v. 45), Se não agimos como ele mandou, não somos diferentes dos publicanos nem dos gentios (vv. 46-47). Lembrar (5.20).

Temos agido assim, irmãos? As nossas atitudes evidenciam que nos tornamos filhos de Deus, ou, como disse no início, agimos no nosso dia-a-dia, em nossas casas, no colégio, na faculdade, no trabalho, e até mesmo na igreja, exatamente ao contrário do que o nosso Senhor Jesus ensina?

Observem que estes versículos nos lembram que vivemos no mesmo mundo, e nas mesmas condições naturais em que vivem os gentios (v. 45). O que nos diferencia deles são as nossas atitudes de filhos de Deus; filhos que se parecem com o Pai; Pai Amoroso que deu seu Filho unigênito para que não perecêssemos, e nós precisamos demonstrar que, de fato, recebemos todo esse amor, e o reproduzimos como o nosso Senhor nos mandou.

Santidade irmãos! Esses versículos falam de santidade. O Sermão do Monte, em especial, são palavras do Senhor Jesus que nós devemos ler, reler, e guardar no coração para praticá-las, no poder do Espírito Santo. Somente obedecendo ao nosso Senhor, como ele mesmo disse, seremos perfeitos como perfeito é o nosso Pai Celeste (v. 48).

Que Deus nos abençoe diariamente com o dom do arrependimento, com o dom da obediência, para que manifestemos o dom do perdão e o dom do amor que recebemos, para que o nome de Deus seja glorificado em nós, e através de nós. Amém.